FARO
Capital do Algarve, cidade milenar a (re)descobrir, Faro tem muito para oferecer. Com uma excelente localização geográfica e clima ameno, Faro convida a agradáveis passeios e visitas capazes de surpreender. O seu Centro Histórico é obrigatoriamente um dos principais pontos de paragem. Envolvido pelas muralhas, o mais antigo núcleo urbano, conhecido por Vila-Adentro ou Cidade Velha, apresenta-nos alguns dos mais importantes e antigos monumentos da cidade, marcos da história de povos e costumes. “Este centro histórico repele sugestões românicas, manuelinas, até seiscentistas (…) Uma terra em que o tempo nos envolve mas não pesa sobre nós” (José Hermano Saraiva).
O Jardim Manuel Bivar, frente ao Arco da Vila e junto à Doca de Faro, é um espaço agradável e calmo que convida ao descanso. Nele encontra-se o pomposo coreto do Século XIX que acolhe diversos espectáculos musicais durante o Verão. O jardim é local de referência para a realização de Feiras que animam as quentes noites de Faro durante esta estação. Local ideal para fazer compras é a Baixa Comercial de Faro. Trata-se de um centro comercial a céu aberto, composto por várias artérias pedonais, a principal conhecida como Rua de Santo António. Representa um lugar de eleição dos residentes e visitantes, onde se podem encontrar produtos de qualidade, livrarias, lojas de roupa e música, artesanato regional, os tradicionais cafés e restaurantes típicos com uma gastronomia rica e variada.
CULTURA
Espaços culturais como o Teatro Municipal de Faro, inaugurado em 2005 e que acolhe grandiosos espectáculos nas mais diversas áreas culturais como a Dança, a Música, o Teatro ou Cinema, conferem a Faro a imagem de cidade cultural. Também a Biblioteca Municipal de Faro, António Ramos Rosa, é exemplo de um projecto arquitectónico actual. Situada junto ao Jardim da Alameda, foi inaugurada em 2001, tendo sido preservada a fachada neo-islâmica do edifício original, dando-lhe um cunho de modernidade e de conforto. O Mercado Municipal de Faro, mais recente obra edificada, é o novo centro da cidade e um espaço moderno que acolhe, para além das tradicionais bancas, diversos serviços e iniciativas culturais. Os amantes da Arte podem ainda visitar a Galeria Trem e as suas exposições de arte contemporânea, assim como o Museu Municipal, com um espólio diversificado e que oferece aos visitantes uma colecção arqueológica de grande valor e uma das mais importantes colecções de arte sacra.
CONCELHO FARO
NATUREZA
Faro tem uma forte ligação com a Ria Formosa, zona ambiental protegida composta por um sistema lagunar formado por penínsulas e ilhas que alberga diversas espécies. Cenário de rara beleza, um verdadeiro santuário da natureza, constitui um dos ex-libris da cidade e um dos seus principais cartões de visita. “A Ria de Faro, quando está espelhada e serena como um lago dormente, é um deslumbramento visto ao clarão desses ocasos gloriosos, jorrando uma luz ofuscante que se estampa na paisagem e no espelho das águas em matizes da mais caprichosa fantasia”. (Júlia Lourenço Pinto). Para todos os amantes de ambiente puro, sugerem-se os passeios de barco e a visita às ilhas Deserta, do Farol, da Culatra e Praia de Faro, com as suas areias brancas e águas temperadas.
PRAIA DE FARO
Igualmente conhecida por “Ilha de Faro”, faz parte da Península do Ancão, que delimita a Ria formosa a Poente. O acesso à praia faz-se por uma ponte onde pode circular trânsito automóvel, ou de barco, a partir do Cais das portas do Mar. Nos meses de Verão, divirta-se com várias actividades desportivas e delicie-se com os pratos típicos da zona e a grande diversidade de marisco.
Pode também aproveitar a praia na face do cordão arenoso virado a norte, para um canal da ria Formosa. Aqui o canal é estreito, não há ondulação e a prática de desportos náuticos é intensa
ILHA DO FAROL
Ilha com uma intensa ocupação urbana e turística, com um extenso areal. Deve o seu nome ao farol que se situa na sua extrema poente, na Barra Nova junto ao Cabo de St.ª Maria. Para nascente, a praia torna-se gradualmente mais tranquila e deserta. Nesta Ilha existem estabelecimentos de restauração que levam ao convívio nocturno desta pequena, mas única, comunidade.
ILHA DA CULATRA
A Culatra é ilha de gente dedicada ao mar. A praia para onde se debruça a aldeia forma um refúgio natural de embarcações de pesca, coloridas, balouçando sobre as águas calmas. A povoação encontra-se dotada de várias infra-estruturas e serviços. Um areal amplo estende-se tanto para poente como nascente e pode observar-se a rica flora dos campos dunares que se sucedem para o interior.
ILHA DESERTA
Cerca de 10 km de silêncio e sossego caracterizam a ilha deserta, onde tudo parece encaixar-se perfeitamente entre mundos tão distintos como a terra, o mar e o ar. A areia respira de vida, alimentando várias espécies de moluscos: amêijoas, búzios e muitas outras conchas. Raro santuário, a Ilha Deserta convida à tranquilidade e ao descanso.
A Cidade de Faro, “plantada” pelos fenícios à Beira da Ria Formosa, recomenda-se…Pela história, pelo património, pela vida cultural, pela calma, pela natureza…
GASTRONOMIA
A gastronomia Algarvia é rica em tradição. A sua origem remonta aos tempos históricos da presença dos romanos e árabes. Os ingredientes utilizados, com origem na região, reflectem os sabores frescos do mar e os aromas agradáveis e fortes do campo. Temos o exemplo do famoso "Arroz de Lingueirão" e os gulosos "Dom Rodrigos". Apresentamos uma lista de alguns pratos típicos e doces da região que poderá provar em restaurantes, hotéis e feiras da região: -Carapaus alimados -Perna de carneiro no tacho -Carne de porco com amêijoas -Papas de milho, mais conhecida como Xarém -Ervilhas com ovos à Algarvia -Perdiz estufada -Coelho frito -Cozido de grão -Lulas recheadas à Algarvia -Polvo no forno com entrecosto -Bifes de atum de tomatada -Favas à moda do Algarve -Canja com conquilhas -Gaspacho de alho
Doces:
-Dom Rodrigos -Colchão de Noiva -“Queijos” de Figo e amêndoa -Frutos/animais de massa de amêndoa -Estrelas de figo e amêndoa -Folares
UNIVERSIDADE DO ALGARVE
A Universidade do Algarve conta com 30 anos de serviços à comunidade e é composta por três campus na Cidade de Faro, Penha, Gambelas e Saúde. Conta actualmente com espaços amplos, infra-estruturas e equipamentos que proporcionam excelentes condições de estudo, trabalho, investigação e socialização a uma população de cerca de 10 000 estudantes, 700 docentes e 400 funcionários. Respondendo com adequação aos desafios e às exigências da actualidade, a UAlg fomenta o ensino e a investigação de qualidade, promove a mobilidade e aposta na inovação científica e tecnológica. Destaque-se a este nível o arranque próximo da construção do Pólo Tecnológico do Algarve, também inserido no Parque das Cidades.
AEROPORTO DE FARO
O Aeroporto Internacional de Faro é um aeroporto português localizado a nove quilómetros da cidade de Faro no Algarve, que abriu a 11 de Julho de 1965. Milhões de passageiros, sobretudo nos meses de férias, embarcam e desembarcam anualmente neste aeroporto. A estrutura aeroportuária, segunda mais importante do país, tem testemunhado um incremento generalizado das operações muito em resultado da generalização e banalização das ligações low cost bem como do incremento da sua influência no contexto do sudoeste peninsular. Para fazer face ao aumento do trânsito, o aeroporto foi ampliado e substancialmente modernizado nos últimos anos. É dotado de uma pista 10/28 com 2490 metros de comprimento e 45 de largura pelo que está habilitado a receber todos os tipos de aviões. O aeroporto foi recentemente promovido a base operacional/hub da empresa Ryanair, maior companhia aérea mundial de voos a baixo custo, tendo a empresa anunciado a afectação permanente de 6 aeronaves B737/800 ao aeroporto. Só o HUB da Ryanair deverá fazer o aeroporto aumentar
o seu movimento em cerca de 1,5 a 2 Milhões de passageiros anuais.
Eventos Importantes no concelho:
-Concentração Motard de Faro – 3º Fim-de-semana do Mês de Julho Realizada pelo Moto Clube de Faro desde 1981, tornando-se a Maior Concentração Motard de toda a Europa com mais de 20 000 participantes, tendo como principais atractivos: o convívio motard, os shows musicais e de motos e um desfile.
-Semana Académica – (geralmente Mês de Maio)
Evento que marca a queima das fitas dos estudantes da Universidade do Algarve organizada pela associação académica, realizando uma semana de actividades desportivas durante o dia e espectáculos musicais durante a noite, promovendo o saudável convívio académico.
-FolkFaro
Este projecto é um dos pontos altos da programação cultural da cidade, reunindo grupos vindos de diferentes partes do mundo, e envolvendo uma série de actividades: desfiles, noites de gala, animações de rua, ateliers de dança, animação infantil entre outros.
-Feira de Santa Iria – 2º Quinzena de Outubro
Realiza-se desde 1596, sendo uma feira com muita história é actualmente organizada pela Câmara Municipal de Faro, com um carinho muito grande de todos os farenses.
-Festa da Ria Formosa – Julho e/ou Agosto
Festival gastronómico de marisco, onde todos podem provar os deliciosos mariscos que a Ria Formosa oferece.
-Procissão do Enterro do Senhor – Páscoa
Procissão do Senhor Morto, que anualmente junta milhares de pessoas em Faro, constituindo uma das maiores manifestações sociais e de fé do Algarve, sendo uma das mais antigas e participadas tradições da sociedade farense.
Visita ao Concelho de Faro
Elementos patrimoniais mais relevantes
Arco da Vila -Mandado construir por D. Francisco Gomes do Avelar – Bispo do Algarve entre 1789 e 1816 – e projectado pelo arquitecto italiano Francisco Xavier Fabri. Foi inaugurado em 1812 e constitui um dos mais representativos exemplares do neoclassicismo no Algarve.
Porta Árabe -Constitui uma das entradas – em cotovelo – da época islâmica e remonta ao século XI. É o único arco em ferradura no seu local de origem em todo o Algarve e o mais antigo do país. Uma iluminura das Cantigas de Santa Maria de Afonso X dá conta da representação desta porta nas muralhas. A Lenda de Santa Maria conta o milagre que ocorreu em Faro no tempo do domínio árabe. Sobre as muralhas de Santa Maria de Faaron havia uma imagem de pedra da Virgem Maria, colocada pela comunidade cristã. Um dia, devido a alguns conflitos entre cristãos e árabes, a imagem da Santa foi atirada ao mar. A partir de então, sempre que os pescadores iam pescar as suas redes vinham sem peixe. Os cristãos, muito indignados, perceberam que se tratava de um castigo e pediram aos árabes para voltarem a colocar a imagem nas muralhas. Estes, arrependidos, voltaram a pôr a imagem no seu local de origem. Como recompensa deu-se um milagre: os peixes reapareceram em maior
abundância, como nunca tinha acontecido.
Ermida de Nossa Senhora do Ó - Localiza-se sobre as muralhas do Arco da Vila, ao nível do caminho de ronda. Segundo as cantigas de Afonso X, aqui encontrava-se a imagem da Virgem Maria. Esta pequena ermida, também conhecida por Nossa Senhora D’ Entre Ambalas Águas, remonta ao século XIV e era administrada pelos mareantes. A inscrição que se encontra na abóbada do arco da Vila comprova que, em 1757, o edifício foi reconstruído devido a danos sofridos com o terramoto de 1755. Com a construção do arco da Vila, em 1812, uma das fachadas da ermida ficou entaipada. Actualmente, é uma dependência do Governo Civil.
Igreja da Sé - Edifício de origem medieval correspondente à primitiva igreja matriz de Santa Maria, mandada construir em 1251 pelo arcebispo de Braga, D. João Viegas. Em 1577, ano em que se operou a mudança do assento episcopal de Silves para Faro, foi elevada a sede de bispado. Em 1596 foi incendiada e saqueada pelas tropas inglesas do conde Essex. Entre finais do século XX e inícios do século XXI realizaram-se várias escavações no interior da Sé, tendo sido encontrada a cripta dos bispos, na capela-mor, e uma arca tumular gótica com a figura jacente de Rui Valente (cavaleiro da casa do Infante
D. Henrique), numa capela lateral. No interior destacam-se diversos trabalhos artísticos (talha, azulejaria) e com a subida à torre pode apreciar os encantos da Ria Formosa.
Paço Episcopal - A primitiva residência episcopal ficou bastante danificada, em 1596, devido ao saque das tropas inglesas do Conde de Essex. Nos finais do século XVI, inícios do XVII o Bispo D. Fernando Martins Mascarenhas promoveu a construção de um novo palácio – um dos melhores exemplares da arquitectura chã do Algarve. A parte central do frontispício é resultado de uma intervenção efectuada depois do terramoto de 1755.
Seminário Episcopal - Com o encerramento do colégio da Companhia de Jesus em Faro e Portimão em 1759, sentiu-se a necessidade de criar outra instituição de ensino. Teve duas campanhas de obras, ambas da segunda metade do século XVIII. A primeira foi da iniciativa do bispo D. José Maria de Melo (1787-89) e a segunda do bispo D. Francisco Gomes do Avelar (1789-1816) que patrocinou a conclusão das obras, tendo para o efeito contratado o
Paços do Concelho - Após a conquista da cidade aos árabes por D. Afonso III (1249) a vila de Faro recebe pela primeira vez a carta de foral (1266). Trata¬se de uma Carta Régia onde estão outorgados os direitos e deveres dos habitantes, dando-lhes autonomia municipal, embora sob o domínio régio. Face a este importante acontecimento torna-se necessário construir um edifício que albergue a administração do Município. É na zona intramuros, a parte mais nobre da vila, que se constrói os Paços do Concelho, muito provavelmente, no local onde ainda hoje se encontram. A construção do actual edifício teve início em 1883. Em 1945, sob a responsabilidade do arquitecto Jorge Oliveira, a fachada principal foi renovada.
Antigo convento de Nossa Senhora da Assunção/ Museu Municipal de Faro - Notável edifício da arquitectura monástica quinhentista destinado a acolher uma comunidade franciscana da ordem de Santa Clara. As obras iniciaram-se em 1519 na antiga judiaria. A iniciativa da construção partiu de duas irmãs de Beja e a autorização foi dada pela rainha D. Leonor, mulher de D. João II. Em 1548 o convento entra em clausura, mas as obras prolongam-se até 1564. Em 1834, devido à lei de extinção das ordens religiosas, o edifício é encerrado e as últimas freiras são transferidas em 1836 para Tavira. Entretanto o edifício é vendido em hasta pública e, sendo comprado em 1860, é adaptado a fábrica de cortiça. Em 1948 é classificado como Monumento Nacional e em 1960 a autarquia adquire o edifício para aí instalar o Museu Municipal e a Biblioteca Municipal. Desde 2001 o espaço é ocupado na totalidade pelo Museu Municipal de Faro.
Arco do Repouso - Principal entrada terrestre em época árabe, a sua construção remonta à dinastia almoada (séculos XII / XIII). No século XIII, devido à Reconquista Cristã, esta entrada foi reforçada pelos árabes com duas torres Albarrãs, de modo a facilitar a defesa da cidade e tornar difícil o acesso do inimigo. A sua designação está relacionada com a conquista cristã da cidade e com duas lendas a ela associadas: a primeira conta que as tropas do rei D. Afonso III, após a conquista da cidade de Faro aos árabes, em 27 de Março de1249, repousaram neste sítio; outra lenda evoca a história de uma moura encantada, a filha do governador árabe que por se apaixonar por um jovem cavaleiro do exército cristão foi aqui
enfeitiçada pelo seu pai e aqui repousa.
Banco de Portugal - Situa-se no gaveto da Praça D. Francisco Gomes (antes da Rainha) e da Rua João Dias. Foi construído, por volta de 1926, no local do antigo mercado das hortaliças. À semelhança do que aconteceu com mais agências deste Banco noutras localidades do país, o arquitecto Adães Bermudes foi o responsável pelo projecto. Constitui um interessante testemunho da Arquitectura Revivalista Neo-Manuelina com sugestões islamizantes na porta central (História da Arte em Portugal, Alfa, vol. 11, P. 1 5).
Castelo - Integrado nas muralhas, o castelo constituía o último reduto da fortificação. Tinha três portas, duas com ligação para o mar: a Porta do Mar e a Porta do Socorro e a terceira para a Vila-Adentro. Dos sucessivos restauros, destaca-se o que foi realizado a seguir a 1596, em que sofreu profundas alterações, pois foi adaptado à artilharia. Inclusivamente foi-lhe anexado um revelim. A construção da Fábrica da Companhia Produtora de Malte e Cerveja Portugália, por volta de 1931, adulterou profundamente os torreões e os panos de muralha de ligação à Vila-Adentro. Em simultâneo foi feito um grande rasgo nas muralhas, tendo-se aberto a Rua do Castelo
Celeiros de São Francisco -Localizado na Rua Manuel Penteado, foi construído no perímetro interior da Cerca Seiscentista. Apesar da designação mantida pela tradição, trata-se de uma casa de fresco mandada construir nos meados do século XVIII, pelo Desembargador Veríssimo de Mendonça Manuel, cujo brasão é ostentado sobre a porta principal. Em 1780, o seu filho, o Capitão Mor Manuel de Mendonça Figueiredo Manuel vendeu esta propriedade aos Frades Marianos que aí pensavam construir um convento, desconhecendo-se os motivos porque não se chegou a concretizar esta intenção. Neste edifício de dois pisos e planta octogonal, destacam-se, no exterior, a representações de Hércules e do Gigante Adamastor. De referir o paralelismo destes trabalhos de massas com os da Casa das Figuras, todos mandados executar pelo referido desembargador.
Cerca Seiscentista -«Temendo alguma acção militar dos espanhóis como represália à Restauração de 1640, a cidade de Faro começou a se fortificar (... ) de cinco baluartes e dois meios que a cobrem de mar a mar» (Carta do Governador do Algarve ao rei de Portugal, de 14.05.1662). O progressivo abandono, aliado à acção devastadora do terremoto de 1755, levaram à destruição das muralhas e ao enchimento das valas circundantes. Não obstante, em 1834, aquando da guerra civil entre Liberais e Miguelistas, algumas partes da cerca terem sido consolidadas, poucos vestígios chegaram aos nossos dias, os mais importantes dos quais localizados entre a Ermida do Pé da Cruz e o
Convento de São Francisco - Foi construído frente às muralhas medievais, no Largo de S. Francisco, pelos frades Capuchos da Província da Piedade, em 1529. Dez anos depois foram substituídos pelos Observantes da Província de Portugal. Sofreu profundas alterações após o terramoto de 1755, tendo-se efectuado a sua reconstrução nos finais do século XVIII e nos princípios do século XIX. Merece referência o claustro pela sua qualidade arquitectónica e composição invulgar. Com o Liberalismo foi ocupado pelo Regimento de Infantaria, tendo sido sucessivamente adaptado às funções militares. Recentemente, foi adquirido pela Escola de Hotelaria e Turismo de Faro, estando em curso a sua Recuperação e valorização.
Convento dos Capuchos -Situado na Rua Serpa Pinto, antes Rua dos Capuchos, foi construído a partir de 1620. Aquando da construção da cerca seiscentista ficou no seu interior. Com o Liberalismo, foi ocupado e remodelado pela Guarda Nacional Republicana; serviu também de cadeia comarcã. De realçar o pequeno claustro e a igreja, que apresenta uma interessante ornamentação barroca com manifestações de talha e de azulejaria. No interior esteve instalado o Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique, desde 1914 até que, em 1973, o espólio foi transferido para as actuais instalações, no antigo Convento de Nossa Senhora da Assumpção. A igreja do Convento dos Capuchos tem hoje funções exclusivamente funerárias
Ermida da Nossa Senhora da Boa Esperança - Outrora situada nos arrabaldes, foi fundada por João Amado, Cavaleiro e Criado do Bispo do Algarve, D. João Camelo Madureira (1486-1501), para receber os seus restos mortais e os de sua família. No século XVII, este templo foi integrado dentro da cerca seiscentista. Foi, no entanto, nos princípios do século seguinte que se assistiu a profundas renovações, realizadas pela Confraria que entretanto aí se instituiu. O terramoto de 1755 originou a construção da capela-mor, destacando-se os graciosos trabalhos de massa do domo e do campanário. Junto à ermida funcionou uma gafaria, de que não restam quaisquer vestígios.
Ermida de Santo António -A Ermida de Santo António do Alto foi adossada a uma torre medieval, provavelmente no século XV, sendo frequente as referências que lhe fazem às Visitações quinhentistas da Ordem Militar de São Tiago. A Confraria que administrava este templo estava a cargo da Câmara Municipal. Das obras executadas no século XVIII destacam-se: em 1742, o ajuste do retábulo de talha pelo maior entalhador algarvio, Manuel Martins; em 1754, a reconstrução do portal principal; após o terremoto de 1755, a feitura de um novo frontão e a abertura de quatro janelas, duas no frontispício e as restantes nas paredes laterais da nave. Nas suas dependências encontra-se instalado, desde 1933, o Museu António, que é constituído por uma curiosa colecção de imagens, pinturas e gravuras alusivas a Santo António. A atalaia foi edificada, na era de 1355, à custa do rei D. Afonso IV e do Concelho de Faro, conforme se atesta numa inscrição lapidar existente sobre o antigo portal. Para além da abóbada manuelina do piso térreo, é de referir o acrescentamento da torre, a fim de servir de estação elevatória de água.
Ermida de São Luís -Situado outrora nos arredores da cidade, este pequeno templo seiscentista foi sede de uma confraria de carácter rural. O domo da capela-mor, onde sobressai um lanternim cego e alguns trabalhos de massa, atesta uma campanha de obras realizada no 3º quartel do século XVIII tendo¬se utilizado o formulário rococó. Por sua vez, o retábulo principal e o frontispício da ermida foram reconstruídos nos princípios do século XIX (na verga do portal figura a data de 1806), constituindo interessantes testemunhos do neoclassicismo. Foram responsáveis por esta última intervenção o Bispo D.Francisco Gomes do Avelar e, provavelmente, o arquitecto italiano, Francisco Xavier Fabri.
Ermida de São Sebastião – À semelhança do que acontecia com os restantes templos dedicados a S. Sebastião, protector das pestes, situava-se nos arrabaldes da cidade. Aquando da construção da cerca seiscentista ficou propositadamente de fora, passando os muros e as respectivas valas a poucos metros de distância para proteger o vizinho Convento dos Capuchos. Do primitivo templo medieval resta apenas uma capela lateral, sendo do século XVIII as mais importantes remodelações. Foi sede de duas confrarias: a de S. Sebastião, administrada pela Câmara Municipal e a de S. Roque, a cargo dos militares. O seu interior apresenta elementos característicos da época barroca na talha e na azulejaria.
Ermida do Pé de Cruz – Ergue-se no Largo do Pé da Cruz, outrora do Poço dos Cântaros. Foi edificada nos limites da cidade, junto ao Campo da Trindade, por volta de 1644, data inscrita no primitivo sino do campanário. Alguns anos mais tarde, quando se receou a invasão espanhola e a cidade foi envolvida por uma cerca circundada de valas, a importância deste templo justificou a sua inclusão no interior deste sistema defensivo. Nas traseiras da ermida foi construído um Passo monumental, no terceiro quartel do século XVIII. Ele surgiu como contributo da fábrica de curtir sola, criada em Faro, em 1779, que tomou em sua protecção a venerável imagem de Nossa Senhora do Pé da Cruz e as Almas Santas, «para que se alcance o bom fim que se dirige». O interior da ermida apresenta uma interessante ornamentação da época barroca, nomeadamente no retábulo da capela-mor, na talha do arco triunfal e nos doze painéis pintados a óleo com cenas do, Antigo Testamento. É ainda de realçar o acervo escultórico existente no seu interior, composto por mais de uma dezena de imagens setecentistas, na sua maioria em madeira.
Igreja de Santa Bárbara – A primitiva ermida medieval foi profundamente remodelada nos finais do século XV, quando se tornou sede de freguesia. O novo templo é de três naves e cinco tramos, com arcos ogivais suportados por colunas com capitéis de tipo cálice oitavado. Um exuberante arco triunfal manuelino, lavrado com ramos e troços, onde surge também decoração proto¬renascentista, dá acesso à ousia, de abóbada estrelada de cinco chaves. À semelhança do que aconteceu nos restantes templos algarvios, a ornamentação medieval e renascentista foi substituída após o Concílio de Trento. Interessantes testemunhos da talha, da imaginária, da pintura e da azulejaria das épocas maneirista, barroca e rococó encontram-se nas várias capelas, destacando-se as de N.ª Sr.ª do Rosário, de Santo António e de Santo Amaro. A igreja sofreu alguns danos com o terramoto de 1755, tendo a fachada e a torre sido reparadas, no século seguinte. Já neste século, promoveu-se o restauro inadequado da cobertura das naves ao substituir o telhado original em madeira.
Igreja de S. Francisco -Situada junto ao antigo Convento de S. Francisco, foi fundada pelos Irmãos Terceiros, nos finais do século XVII. O primitivo portal principal era idêntico ao da actual Ermida de Nossa Senhora do Repouso. Como resultado de um espírito de forte emulação com a Ordem Terceira do Carmo, promoveram-se profundas alterações nos meados do século seguinte: a orientação mudou de nascente para poente, o anterior corpo da igreja passou a capela-mor, foi construído um transepto de planta octogonal e acrescentada uma nave, finalmente foi edificado um claustro. É de salientar a participação nestes trabalhos de Diogo Tavares e Ataíde, o mais prestigiado mestre pedreiro algarvio setecentista. Estas obras prolongaram-se pelos finais do século. O interior da igreja atesta aquelas três fases, destacando-se o revestimento azulejar da capela-mor, os retábulos do transepto e o revestimento, em talha, da cúpula. Saliente-se, ainda, o significativo núcleo de imagens de roca das procissões das Cinzas e das Dores
Igreja de São Pedro -Situa-se na zona ribeirinha, no Largo de S. Pedro. A primitiva ermida medieval, mandada fazer pelos mareantes, foi totalmente reconstruída nos meados do século XVI. O novo templo passou a ser sede da recém-criada freguesia de S. Pedro, que foi entregue à Ordem Militar de São Tiago, em troca da cedência da Igreja Matriz de Santa Maria para assento episcopal. Os efeitos do terremoto de 1755 foram tão graves que originaram profundas modificações arquitectónicas, realçando-se, nesta intervenção, o carácter revivalista, próximo dos valores da arquitectura chã dos finais do séc. XVI. As novas colunas foram feitas em 1760, imitando as da Igreja da Sé. Foi responsável por esta reconstrução o mestre entalhador farense Manuel Francisco Xavier. Conserva, no seu interior, significativas manifestações dos séculos XVII e XVIII, com realce para a capela-mor e para as capelas do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora da Vitória
Igreja do Carmo -dominando o Largo do Carmo, foi fundada, em 1713, pelo Bispo D. Antônio Pereira da Silva nos terrenos, até então, pertencentes à Horta de S. Pedro. O Padre Frei Manuel da Conceição, arquitecto carmelita, veio de Lisboa e foi o responsável pelo risco da igreja. Nos meados do século XVIII procedeu-se ao acrescentamento do corpo da igreja, tendo-se destruído a anterior fachada. No seu lugar, a partir de 1747, foi edificado um novo espaço de grande dinamização, sendo responsável por esta obra, pela concepção do «risco» da nova fachada e pela sua execução o mestre pedreiro Diogo Tavares. O prolongamento das obras provocou alterações no projecto: o último piso foi feito em 1775, a torre nascente nos princípios do século XIX e a outra em 1878. A talha foi a manifestação artística mais utilizada nesta igreja, tendo nela trabalhado os melhores escultores da região, com realce para a oficina de Manuel Martins. Merecem ainda referência a ornamentação da sacristia, o acervo de imaginária da Procissão do Triunfo e a capela dos ossos
Igreja de Estoi -A antiga ermida medieval de São Martinho foi profundamente alterada no segundo quartel do século XVI, quando este templo foi elevado a sede de freguesia. Em 1554, encontrava-se praticamente concluída de acordo com o formulário do Primeiro Renascimento. A nova igreja passou a ter três naves e quatro tramos, sem transepto, com cobertura única de madeira para a totalidade das naves e cabeceira formada apenas pela ousia. O terremoto de 1755 provocou sérios danos. Inicialmente tudo foi reparado, tornando-se, no entanto, necessário reedificar a igreja alguns anos mais tarde. As obras iniciaram-se nos princípios do século XIX sob orientação do arquitecto Francisco Xavier Fabri, trazido de Itália pelo grande mecenas, Bispo do Algarve, D. Francisco Gomes do Avelar. Este arquitecto respeitou os valores estéticos preexistentes tendo, no entanto, construído uma nova fachada de majestosa composição neo-clássica.
Igreja da Misericórdia – Ocupa o gaveto da Praça D. Francisco Comes e das Ruas da Misericórdia e João Dias. Com a reforma promovida pelo rei D. Manuel I, em 1499, o centro urbano deslocou-se das Alcaçarias para o litoral. De entre os novos equipamentos, assistiu-se à construção de um açougue, da alfândega, de um hospital e da Ermida do Espírito Santo, hoje Igreja da Misericórdia. Esta foi totalmente reconstruída pelo Bispo D. Afonso de Castelo Branco (1581-85), destacando-se a sua planta de cruz grega, característica ímpar na região algarvia. No interior encontram-se vários retábulos de grande qualidade: o da capela-mor, maneirista, e os colaterais, barrocos, ligados entre si pela talha do arco triunfal. O Bispo D. Francisco Gomes do Avelar, na qualidade de Provedor daquela Irmandade, mandou o arquitecto genovês Francisco Xavier Fabri reformular a fachada e reconstruir o antigo hospital quinhentista, cujas arcadas são bastante interessantes.
Muralhas -As muralhas que envolvem o mais antigo núcleo urbano, conhecido por Vila-Adentro, remontam ao século IX e devem-se à iniciativa de Ben Bekr, príncipe muçulmano de um pequeno reino local que se tornou independente do emirato de Córdova. Após a invasão almohada, no séc. XII, construíram-se duas torres albarrãs diante de uma das entradas principais, actualmente conhecida por Arco do Repouso. Em 1596, as tropas inglesas do Conde de Essex saquearam e incendiaram a cidade, tendo danificado bastante as muralhas. As obras de restauro começaram de imediato, prolongando-se durante décadas. A cava que envolvia as muralhas não banhadas pelo canal, encontrava-se entupida em 1633 e foi necessário limpá-la de maneira a recolher a água do mar. Depois da Restauração de 1640, como prevenção contra uma eventual invasão espanhola, houve que derrubar as ameias de algumas torres, para que se igualassem em altura com os muros das cortinas, ficando, assim, preparadas para receber as bocas de fogo. Em 1664, as obras estavam praticamente concluídas. O terramoto de 1755 danificou grande parte das muralhas, incluindo torres e baluartes e, nos finais do século XVIII, perdem importância como reduto militar. Com efeito, os avanços técnico-militares tornam-nos alvo fácil de artilharia instalada em Santo António do Alto. Abandonadas pelas autoridades, ainda mantêm, em 1849, alguns equipamentos militares, mas, aos poucos, são ocupadas por particulares.
Teatro Lethes -Preenche o gaveto das Ruas de Portugal, Dr. Justino Cúmano e Horta Machado. O antigo Colégio de São Tiago Maior da Companhia de Jesus começou a ser construído em 1605, destacando-se a sobriedade da fachada principal. Ao centro ficava a igreja, de uma só nave, que esteve ornamentada com um dos mais significativos conjuntos da ta-lha algarvia, hoje somente atestada pela documentação. O perímetro da sua horta constituiu um dos cinco baluartes da cerca seiscentista. Em 1759, os Jesuítas foram expulsos, sendo substituídos pelos Carmelitas Calçados ou Marianos. Em 1843, foi comprado em hasta pública pelo Dr. Lázaro Doglioni, tendo o seu sobrinho, o Dr. Justino Cúmano, orientado as obras de adaptação a teatro, cuja inauguração solene aconteceu dois anos depois. De realçar as obras de recuperação realizadas nos princípios deste século, nomeadamente a participação do pintor José Filipe Porfírio.
Torres Albarrãs -Construídas junto à entrada terrestre da cidade, as duas torres, de época almoada (século XII/XIII), tinham como função defender uma das entradas mais vulneráveis da cidade, permitindo uma eficaz defesa, ao atacar o inimigo pelas costas. Esta situação verificava-se devido ao avanço que as torres têm em relação à muralha.
Ermida de Nossa Senhora do Repouso-Localiza-se numa das entradas das torres albarrãs. A sua construção, destinada a acolher a imagem de Nossa Senhora do Repouso que aqui se encontrava, foi patrocinada pela rainha D. Mariana nos inícios do século XVIII. Reza a lenda que D. Afonso III, após a conquista da cidade aos mouros em 1249, repousou neste local e que durante o descanso lhe apareceu a imagem de Nossa Senhora.
Torres Bizantinas -Fruto da ocupação bizantina (meados do século VI -1ª metade do século VII) este equipamento militar caracteriza-se pela planta pentagonal – fruto da reconstrução bizantina – assente nas torres pré¬existentes romanas de forma semicircular. Trata-se de uma consolidação da muralha já existente.
Solar das Patojas -Localiza-se na Rua de Santo António. Edifício de Arquitectura Chã que pertenceu nos princípios do século XVIII a Gil Vaz Lobo Freire Pantoja. Em 1733 a sua filha casou com o seu primo Damião António de Lemos Faria e Castro (o mais ilustre historiador algarvio). O brasão dos Pantojas surge no centro da fachada principal e na pintura do caixotão de madeira de uma das salas de aparato do andar nobre. Desde 1917 que nele está sedeado o Clube Farense.
Casa das Açafatas -Localiza-se na Rua de Santo António. Mandada construir no segundo quartel do século XVIII pelo Capitão-mor Baltazar Rodrigues Neto, é um expressivo exemplar da arquitectura Barroca algarvia. Na fachada, o centro é valorizado pelo brasão da família e pela riqueza ornamental – enrolamentos – que anima os vãos (porta e sacada). O logradouro da casa correspondia à antiga Horta da Mouraria, reminiscência do antigo bairro medieval.
Cemitério Israelita de Faro: Considerado como o único vestígio da comunidade judaica na cidade, o Cemitério Israelita de Faro data do início do século XIX. O cemitério, cujo pavimento é de calçada portuguesa, tem uma talhara (casa), sítio de reza e onde os corpos são lavados. O primeiro e o último enterro datam de 1838 e 1932 respectivamente, tendo sido este cemitério abandonado pouco depois devido ao desaparecimento da comunidade. Actualmente acolhe o Museu Sinagoga Isaac Bitton, que apresenta artefactos da religião em causa com destaque para uma réplica montada de um túmulo Judaico de 1315 de Josef de Tomar, encontrado em Faro no início de 1900, e o pentateuco em Hebraico.
Pousada do Palácio de Estoi -nasce da recuperação de um antigo Palácio do século XVIII, que pertencia inicialmente ao Visconde de Estoi – José Francisco da Silva. Após a sua morte, o Palácio foi mantido na respectiva família até 1987, ano em que foi comprado pela Câmara Municipal de Faro. O restaurante, o bar, a antiga capela e os três salões, reflectem o cuidado na recuperação deste edifício. No exterior, uma piscina e jardins ao estilo Versalhes, ocupam parte duma propriedade com cerca de quatro hectares, perto das ruínas de Milreu. As antigas cavalariças do Palácio foram convertidas em vários espaços, ideais para receberem Reuniões e Eventos. O projecto de adaptação do palácio para pousada é da responsabilidade Arquitecto Gonçalo Byrne.
Ruínas de Milreu -Situadas na vila de Estoi, a cerca de 10km da cidade de Faro, as Ruínas de Milreu são mais um testemunho da passagem dos romanos pela região, tendo sido construídas no século I e tido diversas transformações no século IV. Dotado de diversos vestígios da época, tem uma envergadura cultural de grande interesse.