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Lagos

2 Lagos

A cidade e o concelho de Lagos constituem um dos mais belos locais do Algarve. Zonas de vivências ancestrais, nela coexistem, lado a lado, a modernidade e a tradição, a contemporaneidade e o legado de um passado histórico assinalável. Sinais desta saudável aliança são os testemunhos das várias ocupações e das diversas épocas e períodos cronológicos que marcaram o crescimento e o desenvolvimento de Lagos. Não é por acaso que é chamada a Cidade dos Descobrimentos ou a Terra do Infante. Foi, com efeito, a partir de Lagos que o Infante D. Henrique iniciou a grande diáspora dos Descobrimentos Portugueses, contribuindo, decisivamente, para a vocação universal deste local e das suas gentes, visível na facilidade com que ainda hoje se relacionam com os povos que, de toda a parte, aqui se dirigem, para uma simples visita, muitas vezes tornada permanente.

 

 

1. História de Lagos

«Fundou-a El Rei Brigo, impondo-lhe o nome de Lacóbriga, que significa lago, 1897 anos antes de Cristo; outros dizem que tomou o nome de uns lagos que antigamente aqui havia, o que é mais o provável.»

Padre Carvalho da Costa

Lacóbriga - Zawaia - Lagos

Mudam-se os tempos...

A origem de Lagos aparece associada aos pequenos cursos de água, com nascentes no Espinhaço de Cão, que aqui formavam lagoas delimitadas por dunas de areia. Eram ancoradouros ricos em pescado e em bivalves. Depressa se tornou num local de agrado a vários povos que a tornaram num importante entreposto comercial.

Por aqui passaram fenícios, gregos e cartagineses. Por ela lutaram romanos, mouros e portugueses. Lacóbriga é a denominação romana do povoado. Posteriormente, os árabes chamam-lhe Zawiya (Zawaia). Em 1249 é definitivamente integrada em território português por de D. Afonso III.

No entanto é a civilização árabe a que mais influenciou a vivência dos povos vindouros. Ainda hoje são visíveis os traços linguísticos, culturais e arquitectónicos legados.

 

5 Lagos, Cidade das Descobertas

Os Descobrimentos começaram aqui...

Daqui o Infante D. Henrique fez partir Caravelas em demanda de novos mundos. Aqui se viu nascer Gil Eanes, o herói do Bojador. Aqui chegaram as primeiras riquezas de África. Ouro, prata, marfim... Eram tempos de fausto e glória.

Em 1573, Lagos é elevada a cidade, por ordem de El Rei D. Sebastião e torna-se na sede do Bispado e na Capital de todo o Reino do Algarve.

Mas os anos dourados chegam subitamente ao fim. O terramoto de 1755 destrói implacavelmente a cidade e os anos que se seguiram foram marcados pela miséria e decadência.

Lentamente foi-se recompondo e apoiada no seu bem mais precioso - o mar - foi emergindo das ruínas.

Hoje Lagos é uma das cidades algarvias mais procuradas pelas suas praias de areia dourada e águas cristalinas, pela beleza paisagística da sua baía e pelo seu legado arquitectónico.

 

2.  Breve descrição da cidade

De olhos postos no mar...

1 «Ela expunha-se à beira-mar, formosa e não segura, como um fruto tentador à mercê de quem passa.»

Prof. José Hermano Saraiva

 

Fechada nas suas muralhas, Lagos é um dos abrigos mais acolhedores da costa portuguesa. As muralhas, edificadas nos reinados de D. Manuel I, D. João II e D. Filipe I, envolviam completamente a cidade para a defender da pirataria e das frotas hostis.

As suas ruas estreitas denunciam um passado feito de mistério e de descobrimentos ornados a ouro e a marfim. Quase todas conduzem a agradáveis praças e jardins, algumas com esplanadas que permitem usufruir da mística atmosfera que envolve a cidade.

A brancura do casario não passa despercebida. Revela a busca constante por ambientes mais frescos. As casas algarvias, em muito influenciadas pelas técnicas trazidas de África, apresentam vulgarmente barras coloridas que emolduram portas e janelas. As chaminés, de configurações e cores variadas, foram uma das mais populares formas de artesanato. As suas formas, ora revelam influências árabes, assumindo a forma de minaretes, ora religiosas, lembrando campanários de igrejas.

 

3. Roteiro

 

Que visitar

Património Arquitectónico

Apesar das profundas marcas deixadas pelo terramoto de 1755, Lagos é detentora de uma mancha arquitectónica de importante valor, que em muito se deve à reconstrução e alteração de antigos edifícios.

A Igreja de Santo António (MN) é uma das mais belas do país. O seu interior é decorado a talha dourada e as paredes são revestidas por painéis de azulejos em azul e branco do séc. XVIII. O Museu Regional de Lagos, instalado junto à Igreja de Santo António, conserva importantes colecções de pintura, arqueologia e etnografia do Algarve, numismática e arte sacra-talha do séc. XVII.

As arcadas do Mercado de Escravos testemunham um passado de esplendor e riqueza trazida de África pelas Caravelas. Hoje é um espaço utilizado para exposições.

Junto ao Porto, o Forte da Ponta da Bandeira. Fortificação militar datada dos finais do séc. XVII, servia para proteger dos corsários e invasores. Hoje já ninguém espera ataques surpresa de barcos inimigos, o seu interior é utilizado para exposições e outras actividades culturais.

 

Património Natural

Praias meia_praia

Muitas são as praias procuradas pela areia quente e dourada e pelas água límpidas e tranquilas que, ora são recantos de falésias escavadas pelo mar, ora extensos areais que quase se perdem no horizonte. Falamos de praias tão acolhedoras como a Dona Ana ou a do Camilo, encaixadas nos rochedos, e de outras tão apetecíveis pela sua imensitude como a Meia Praia, uma das maiores da Europa.

Locais ideais para usufruir do sol e de deliciosos banhos ou para descontrair e libertar um pouco de adrenalina, praticando variados desportos náuticos como a vela, o windsurf, o jetski, a caça submarina, a canoagem, entre outros.

 

Grutas

4 Na Ponta da Piedade, onde o mar e a terra se encontram, uma longa e estreita escadaria leva até ao mar, onde alguns mareantes esperam, nos seus barcos, por aqueles que desejam conhecer as cavernas e esculturas de grés e calcário talhadas pelo mar.

O «bolo da noiva», o «ferro de engomar» ou a «gruta do amor», assim lhes chamam pescadores e populares, são exemplos do admirável trabalho do mar no seu choque constante com as arribas. A imaginação faz o resto.

 

À descoberta da Mata

Mesmo aqui ao lado, mas longe da azáfama da vida urbana, Barão de S. João. Esta freguesia de características rurais é uma das mais típicas do concelho de Lagos. Habitações térreas de um só piso, noras e tanques de rega, pitorescas chaminés e uma Igreja dedicada a S. João Baptista compõem a paisagem.

A Mata Nacional de Barão de S. João é o grande atractivo desta região. Área natural protegida, contém espécies arbóreas do tipo mediterrânico e uma importante reserva de fauna cinegética. A Mata oferece ainda um conjunto de infra-estruturas lúdico-desportivas - circuito de manutenção com obstáculos pré-construídos e seis percursos pedestres/BTT - que possibilitam a prática de desporto ao ar livre e, ao mesmo tempo, usufruir do contacto com a natureza.

O Parque de Merendas, existente no local, é o local ideal para um aprazível piquenique em família ou a para um merecido descanso depois de uma caminhada. Para os mais pequenos, escorregas e outros aparelhos de brincadeiras à disposição.

Nas imediações do perímetro florestal estão localizados os sanitários e um Posto Informação/primeiros socorros.

 

Que comer

O balanço das ondas e o cheiro a maresia fazem abrir o apetite. O mar é uma fonte de riqueza bem aproveitada pela gastronomia algarvia. Não falta imaginação para confeccionar os mais variados pratos de peixe, moluscos e mariscos.

Começando pelos petiscos. Amêijoas à «bulhão pato», pratinhos de perceves, lascas de ovas secas (de pescada, polvo ou atum), nacos de polvo, de moreia ou de lula secos ao sol e assados em fogareiro ou o biqueirão envinagrado são alguns dos deliciosos petiscos típicos, mais prováveis de encontrar nas tasquinhas dos pescadores.

A sardinha assada é rainha em qualquer restaurante algarvio. A tradição manda comê-la em cima de uma fatia de pão, na qual ela vai deixando a sua gordura... uma delícia dizem os entendidos e comprovam-no os que já experimentaram. Outro prato típico são os carapaus alimados.

Às lulas enche-se-lhes os sacos com ricos recheios de presunto e linguiça. O arroz muda de paladar consoante é de berbigão, de polvo ou de lingueirão.

Também as sopas se inspiram no mar. Mas quem por aqui passa não deve dispensar o tradicional «gaspacho», uma sopa fria e ácida, óptima no verão e saboroso acompanhamento para a sardinha assada.

O xerém ou as papas de milho, em tempos eram a base de uma alimentação humilde, hoje são um prato muito apreciado.

Nas carnes, o cozido de grão, feito com abóbora moganga, feijão verde e perna de carneiro; o cozido de milhos; a carne de porco com amêijoas e as favas à algarvia são alguns exemplos.

Falando de doces...

Poética e lendária, a amendoeira é protagonista na confeitaria algarvia. Os bolinhos feitos de massa de amêndoa com recheio de ovos moles ou fios de ovos são a base da imaginação para as mais variadas fantasias. São ternurinhas moldadas por sábias mãos. Um regalo para os olhos e um mimo de sabor.

Os Dom Rodrigos são, igualmente, uma delícia feita de amêndoa, protegida por um invólucro de prata colorida. Também o famoso Morgado não dispensa a amêndoa.

O figo depois de seco permite uma variedade de utilizações. Inteiro ou esmagado não há quem os recuse - recheados com amêndoa, chocolate e erva doce ou torrados no forno são uma delícia.

Anualmente, em Julho, o Auditório Municipal de Lagos transforma-se na Feira Arte Doce, uma faustosa mostra da tradicional de doçaria algarvia, que reúne as melhores doceiras da região. Para saborear e apreciar autênticas obras de arte!

 

... e beber

O Vinho Licoroso de Lagos

A tradição algarvia no campo da vinicultura remonta à ocupação muçulmana. Depois de conquistada aos Mouros, o Algarve continuou a desempenhar um importante papel nas trocas comerciais. O clima mediterrânico, a natureza dos solos e a utilização de castas tradicionais permitem obter vinhos de agradável sabor a fruto, com baixa acidez e de elevada graduação.

A casta de Moscatel de Lagos produz dois tipos de vinho: um doce e um seco. São vinhos de grande categoria, envelhecidos durante pelo menos 7 anos e que atingem graduações entre os 18º e 19º.

 

Onde ficar

Lagos dispõe de uma vasta oferta hoteleira. Desde modernos hotéis de grande envergadura, apartamentos turísticos, albergarias, casas antigas restauradas e moradias com piscinas. Pode escolher um local no meio da cidade contemplando a Marina e a Baía, pernoitar no centro histórico ou escolher zonas mais recatadas junto à praia ou ao campo.

 

Como aproveitar

O Museu Regional de Lagos, o Forte Ponta da Bandeira, o Auditório Municipal e o Centro Cultural de Lagos são espaços de lazer, habitualmente destinados a exposições artísticas e espectáculos de música, teatro e dança. Mas as ruas de Lagos, sobretudo no verão, são um verdadeiro palco para tudo: saltimbancos, malabaristas, músicos, palhaços e retratistas. Também as pinturas a óleo ou aguarela de artistas inspirados no misticismo da cidade, preenchem algumas ruelas transformando-as em casuais galerias de arte.

Á noite não faltam locais para ouvir música, dar dois dedos de conversa ou beber um copo. Dos mais excêntricos aos mais elegantes, bares e pubs para todos os gostos, praticamente porta sim, porta não.

 

Que levar

Para além da memória do azul do mar e do bronzeado do corpo, desta cidade branca podem levar-se variados objectos artesanalmente confeccionados. Destacam-se a cestaria em verga ou palma, a olaria e cerâmica - miniaturas de chaminés algarvias e azulejos pintados à mão -, as rendas e tapeçaria - o croché algarvio distingue-se pelas cores e pelo rendilhado dos pequenos naperons de fio de algodão - e os artefactos em madeira, pedra e ferro - bonecos de diversas formas e pequenos objectos do dia-a-dia rural.

 

 

Locais Panorâmicos/ Miradouros

Chão Queimado

Ao cimo da Avenida dos Descobrimentos encontra um local panorâmico conhecido por Chão Queimado, onde poderá desfrutar a beleza natural da maravilhosa Baía de Lagos.

 

Miradouro da Atalaia

Entre Lagos e a Praia da Luz, encontra-se o Miradouro da Atalaia, onde se contemplam vistas magníficas sobre a Praia da Luz. É um óptimo local para passear a pé e de bicicleta.

 

Ponta da Piedade

Com o Atlântico a seus pés, a Ponta da Piedade é o local ideal para estender o olhar sobre a águas límpidas que banham as nossas costas.

Possuidora de afloramentos rochosos de grés e calcário de colorido intenso, conferem ao lugar uma beleza invulgar. Para quem gosta de prática de mergulho, esta zona da costa possui excelentes condições.

 

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